sábado, 13 de junho de 2009

Memorial - Idas e vindas

Memorial apresentado à professora Tamar Rabelo – Programa (GESTAR II) Gestão da Aprendizagem Escolar


Neste memorial, resumirei as minhas já resumidas – até agora – vidas acadêmica e profissional. Rememorarei os fatos marcantes e relevantes que me guiaram até aqui e que apontam o caminho a minha frente.
Tudo começa na faculdade
Costumo dizer que entrei na educação pela janela e fui convidado a sentar. Justifico: entrei na faculdade ainda muito novo – 16 anos de idade. Apesar de sempre ter sido considerado um bom aluno, não me considerava pronto para encarar um nível de estudo e de desenvolvimento humano tão elevado. Mas, incentivado por meus pais, no ano de 1996, me inscrevi no vestibular de letras das Faculdades Integradas de Vitória de Santo Antão – FAINTVISA. Não tinha muita certeza ainda do que eu queria fazer, mas como para mim seria uma experiência e adorava as “aulas de Língua Portuguesa” – as aspas se explicam pelo fato de que, como a maioria dos professores em atuação hoje, minha experiência com a língua na escola resumiu-se basicamente à Gramática.
Acho que por isso pensei que iria estudar apenas gramática. Para minha surpresa, foi apenas lá que entrei de fato com o estudo sistemático da Língua. A Língua em todas suas instâncias, dessa forma o curso me conquistou e decidi continuar. Ver a Língua a minha frente e descobrir que a Gramática era apenas uma de suas facetas era instigante.
Não posso dizer que fui um aluno brilhante, mas estava acima da média. Passei do primeiro ao 7º período sem dificuldades, porém sem grandes avanços acadêmicos também. Não participei de muitos congressos ou outros eventos desse tipo e, no 5º período, mais ou menos, já me desgostara um pouco do curso, não o achava mais tão instigante como no início. Julgava-o inferior a seu objetivo: a formação de professores. Tive que “correr por fora” como se diz no jargão popular. A literatura técnico-teórica foi, para mim, uma tábua de salvação.
Da teoria à prática
Até o 3º período, a graduação corria sem muitos fatos marcantes, gostava de cursar Letras, mas ainda não pensava, de fato, em exercer a profissão de professor. Foi aí que um convite mudou totalmente minhas perspectivas. Um colega de sala me convidou a assumir um contrato de estágio na Escola Estadual Arthur Mendonça, no município de Moreno, minha primeira experiência profissional regulamentada. No fim do primeiro semestre já estava muito inclinado a seguir profissionalmente no magistério. Novamente eu havia sido cativado. Era de uma grandeza indescritível saber que faria parte do desenvolvimento de crianças e adolescentes – alguns da minha idade, ou até mais velhos. E ver como fui bem aceito pelos colegas de trabalho – refiro-me a professores e alunos – me chamava na direção da sala de aula. No fim do ano eu sabia, queria ser professor.
Segui no estágio até o ano 2000, quando questões pecuniárias, que fugiam a minha vontade me levaram a fazer um concurso da Aeronáutica, onde permaneci por seis anos. Seis longos anos que me fizeram largar a sala de aula e adiar a conclusão do 8º período. Uma decisão difícil mas que teve que ser tomada.
Durante esse tempo, o mais perto que cheguei do magistério foi auxiliar no estudo de alguns colegas e, eventualmente lecionar em alguns cursinhos improvisados preparatórios para concursos militares. Era triste estar na frente de um quadro e não me sentir professor. Não sentia a atração que sentia quando estava no ensino regular. Não estava ensinando Língua Portuguesa, estava ajudando a responder questões. Embora quando estava nas salas da rede pública, minhas aulas fossem muito mais aulas de gramática que de língua – afinal era essa a referência que tinha no ensino médio – já desenvolvia alguns trabalhos envolvendo leitura e escrita. Nas aulas preparatórias, não sei bem como definir, mas me sentia tudo, menos professor. Ansiava pelo retorno ao verdadeiro magistério.
O retorno à faculdade
No 2º semestre de 2005, consegui voltar ao curso. Faculdade reformada, gente nova e, fora isso, mais nada novo. Estava – e estou – carente de vida acadêmica. E o pior era saber que o 8º período não me ajudaria nisso.
Se três anos e meio não mereceram tantas linhas assim neste memorial, seis meses não hão de merecer. Tudo que posso dizer é que não tive surpresas. Aulas, provas, diploma. Concluí um curso superior sem achar que estava pronto para atuar no que deveria.
De volta à sala de aula
Havia usado os dias de serviço de guarda para ler, ler muito. E continuava lendo. Tinha a necessidade, a obrigação de suprir deficiências de formação. Ia me atualizando e vendo que o que antes eu julgava ser minha aula de Língua Portuguesa, nada mais era do que o que eu tinha visto na educação básica: gramática. Isso me atormentava muito. Procurava sanar o problema antes de entrar novamente na sala de aula. Mas era impossível.
Ao fim do mesmo ano que voltei à faculdade, abriram inscrições de um concurso para professores da Rede Estadual de Pernambuco. Fiz e obtive aprovação. Descrever a sensação que tive quando recebi o resultado é totalmente desnecessário. Basta dizer que esperei ansiosamente por isso durante 6 anos.
No primeiro dia de aula estava mais nervoso que na primeira que ministrei aos 17 anos. Olhava para os alunos ali a minha frente e, não sei bem como, dei meu recado. Acho não seria exagero dizer que estava em casa. Sentia-me confortável mais uma vez no trabalho.
Estava tudo certo, menos uma coisa: precisava sair mais ainda do tradicionalismo que não trouxe muitos frutos à educação dos nossos jovens. Ensaiava algumas análises lingüísticas, muitos exercícios de interpretação de texto, mas nada ainda muito sistematizado. Até percebia alguns resultados, mas ainda muito modestos para o que eu queria: o desenvolvimento do gosto e das competências pela leitura e escrita dos alunos.
Participei de algumas capacitações oferecidas pela Secretaria de Educação, o que me ajudaram muito a desenvolver estratégias para aproximar cada vez mais minhas práticas do ensino verdadeiro da nossa língua materna, mas ainda não como eu queria. Dois anos e meio depois do meu regresso as salas, já conseguia desenvolver algumas atividades e projetos com os alunos que traziam resultados mais palpáveis. Mas foi ao ingressar no GESTAR II que meu processo de desenvolvimento se ampliou muito, em conjunto com o dos alunos. Finalmente vi a possibilidade de sistematização que procurava.
O programa, além de ampliar conteúdos, surgiu como um aglutinador de minhas práticas, me dando parâmetros para elencar e sistematizar o que eu já vinha desenvolvendo tudo que eu já vinha desenvolvendo, e autonomia para planejar, preparar e aplicar novos meios de acordo com as necessidades das turmas. Fora o progresso profissional que percebi nos resultados de meus alunos, o GESTAR II acendeu o desejo de pesquisa acadêmica que hoje não sei bem se um dia eu tive.

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